Os Estados Unidos decidiram determinar, nessa quinta-feira (28), que CV e PCC são organizações terroristas. A decisão acontece após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), pré-candidato à Presidência, ao presidente Donald Trump, além de outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento de Estado, e JD Vance, vice-presidente.
Pelas redes sociais, Rubio afirmou que as organizações criminosas “são as mais perigosas do Brasil. Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas”.
A decisão já era esperada e, uma reportagem do UOL no início de março deste ano, mostrou que o martelo já estava batido sobre esta definição. Segundo o The New York Times, em reportagem publicada também em março, os EUA avaliavam a designação após lobby de dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Apesar disso, o governo Lula (PT) tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil.
Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.
O chefe da assessoria especial de Lula, Celso Amorim, comentou sobre a designação, ontem, antes do anúncio. “O crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação. Equiparar o crime organizado ao terrorismo, contudo, não é útil. Compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todas as formas de criminalidade.”
A classificação do que é terrorismo varia em cada país. A versão mais aceita é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que têm por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa política e/ou religiosa.
Segundo o Departamento de Defesa, os EUA classificam grupos terroristas quando eles integram alguns critérios, como a violência e a ameaça ao território americano. As organizações têm que ser estrangeiras. Antes do anúncio, a Defesa já havia manifestado que considerava as organizações como um “perigo” para a região.
A partir desta designação é criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento destas organizações. De acordo com o Departamento, integrantes dessas organizações não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país.
Além disso, bancos americanos com contas destes membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo.
O Brasil, porém, discorda da denominação, uma vez que no território brasileiro a designação de terrorismo é aplicada para atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado. As conversas sobre a possibilidade de designar facções criminosas brasileiras como terroristas acontecem desde o ano passado.