As chamadas despesas essenciais são as maiores causas do endividamento de famílias com renda de até um salário-mínimo, aponta pesquisa da BTG/Nexus. Custos com saúde, alimentação e gastos fixos são os vilões desse desequilíbrio financeiro.
Os gastos com saúde, por exemplo, têm impactos diferentes, entre quem ganha um salário-mínimo e as demais faixas salariais. Na pesquisa, a média nacional gira em torno de 32%, no entanto, fica em 41% para quem ganha até um salário e cai para 19% para consumidores que ganham acima de 5 salários.
A alimentação e as contas fixas representam 50% do total de endividamento dos brasileiros, sendo que para os que recebem salário-mínimo, esse valor é de 48% dos entrevistados.
Já para os consumidores com ganhos superiores a 5 salários-mínimos, os gastos do dia a dia são os responsáveis por 49% das dívidas, porém outros fatores aparecem no cenário como as compras parceladas ou financiamentos de bens de consumo que representaram 35% das respostas.
A atendente Andreza Ferreira, 32, mãe solo de três filhos, vive na pele esse aperto financeiro com os gastos essenciais, com uma renda de cerca de R$ 1.300. “Eu tenho custos excessivos com comida, água, luz, internet, gás e com um curso de técnico de Enfermagem.
E o meu maior medo é perder o emprego e não saber como vou trazer o sustento da minha casa. A minha vantagem é que a casa é própria”, disse a moradora do Conjunto Santo Sátiro, no Maracanaú. Andreza também é beneficiária do programa social Bolsa Família.
Para a economista da FGV IBRE e professora da UNIFOR, Isadora Osterno, essa realidade do endividamento das famílias está, paradoxalmente, ligada ao próprio fato de a pessoa estar empregada. “Veja, o vínculo formal funciona como um ‘passaporte’ para o sistema de crédito, concedendo ao trabalhador acesso a cartões de crédito e crédito consignado.
No entanto, diante de um salário que não cobre as necessidades básicas, o crédito deixa de ser uma ferramenta de investimento e passa a ser uma estratégia de sobrevivência. O trabalhador usa o limite do cartão para fechar o mês no supermercado ou na farmácia”.