
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu duas derrotas relevantes no Congresso Nacional, mesmo após intensificar a liberação de recursos para parlamentares. A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo Senado, enquanto o veto presidencial ao projeto da dosimetria foi derrubado.
Nas últimas três semanas, o Planalto liberou cerca de R$ 10,9 bilhões em emendas parlamentares, o equivalente a 82% dos R$ 13,3 bilhões autorizados desde o início do ano. A ofensiva incluiu uma ordem direta do presidente para acelerar os repasses e um verdadeiro “mutirão” de empenhos durante a sabatina de Messias, realizada no dia 29.
Apesar da estratégia, o resultado no plenário foi adverso, evidenciando que a liberação de recursos já não garante, por si só, apoio político no Congresso. Nos bastidores, a avaliação de aliados é de que houve falhas na articulação, enquanto, no Planalto, o diagnóstico é de que o governo foi traído por parte da base.
Somente para senadores — foco principal da articulação para aprovar o nome de Messias — foram empenhados R$ 2,4 bilhões desde o agendamento da sabatina.
Entre os mais beneficiados estão o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação na CCJ, com R$ 65,8 milhões, o senador Cid Gomes (PSB), com R$ 59 milhões, e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), com R$ 36,1 milhões. O campeão de liberações foi o senador Eduardo Braga (MDB-AM), com R$ 71 milhões.
As emendas incluem tanto recursos individuais quanto verbas de comissão, consideradas herdeiras do chamado orçamento secreto. Embora a execução dessas emendas seja obrigatória, o ritmo e a priorização dos pagamentos são usados como instrumento de negociação política.
As derrotas simultâneas — no Senado e no Congresso — ampliam o desgaste do governo e expõem limites na relação com o Legislativo, mesmo diante de uma das maiores liberações de recursos do ano.