O INSS planeja lançar, ainda no primeiro semestre de 2026, um novo modelo de contratação de empréstimo consignado voltado a aposentados e pensionistas, com uma lógica semelhante à do crédito disponível para trabalhadores com carteira assinada. A proposta, apelidada de “leilão do consignado”, prevê que o beneficiário manifeste no Meu INSS o interesse em contratar o empréstimo e, a partir daí, possa receber e comparar ofertas de diferentes instituições financeiras habilitadas antes de fechar o contrato. O objetivo é reduzir o assédio de bancos.
Segundo o desenho apresentado pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, o fluxo começa com uma checagem automática do sistema sobre a margem consignável disponível e a apresentação, ao segurado, de parâmetros como taxa máxima, valor máximo de crédito e limite de parcela. Só depois dessa etapa o usuário autorizaria a entrada de propostas pelas instituições, que teriam um prazo para ofertar condições e seriam ranqueadas pela melhor condição financeira.
O segurado poderia escolher a oferta mais vantajosa ou optar por um banco específico. A formalização do contrato ocorreria apenas após a seleção, com trava para impedir alterações posteriores nas condições ofertadas e práticas como cobrança de taxas adicionais, venda casada ou mudanças de última hora.
O plano tenta atacar um dos pontos mais sensíveis do consignado previdenciário: a assimetria de informação e o excesso de abordagem comercial, especialmente sobre um público mais vulnerável a fraudes e contratações não desejadas.
Para reduzir riscos operacionais e não “congestionar” os serviços previdenciários, o INSS afirma que a interface inicial estará no aplicativo e no site Meu INSS, mas que o mecanismo de leilão funcionará em uma plataforma separada.
A preocupação com capacidade e estabilidade não é detalhe: o próprio órgão reconhece a necessidade de testes de estresse, dado o volume de demanda por consignado. O contexto tecnológico também pesa. Em fevereiro, o INSS comunicou a retomada de serviços do Meu INSS e da Central 135 após uma atualização tecnológica conduzida pela Dataprev, responsável pela infraestrutura de dados do instituto, como parte do processo de modernização dos sistemas.
No pacote de proteção, a biometria permanece como exigência para o desbloqueio do benefício antes da contratação do consignado, medida que o INSS trata como um dos mecanismos mais seguros disponíveis para coibir descontos e operações indevidas. Desde 2025, o instituto já vinha reforçando esse tipo de controle para crédito consignado dentro do Meu INSS, buscando elevar a segurança e reduzir o risco de fraudes.